Depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Depoimentos em Déficit de Atenção/Hiperatividade, DDA, TDAH, Distração, Instabilidade, Ritalina, Concerta, Metilfenidato, Adderall, Dextroanfetamina, Dextrostat, Dexedrine, Provigil, Modafinil, Daytrana

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Os problemas descritos neste Site em sua imensa maioria são tratáveis e os pacientes ficam bons. Os depoimentos foram escritos pela minoria:

  • Cujo tratamento foi ou está sendo muito difícil. 

  • Que procurou tratamentos alternativos ineficazes e cronificaram. 

  • Que simplesmente não se tratou por desconhecimento ou preconceito. 

  • Que foi tratada de maneira inadequada. 

  • Que não foi tratada pela minha equipe J

A grande maioria das pessoas fica boa e não escreve nem fala mais sobre o assunto.

Estou usando Concerta há quase oito meses e, confesso, que a medicação de forma equilibrada, está mudando minha vida. Graças a Deus, minha concentração melhora a cada dia e minha auto-estima agradece. Sabemos que o DDA, na maioria das vezes, tem um triste sobrenome: INSEGURANÇA. Pelo menos foi assim comigo!
Porém, o lado bom da coisa (sempre tem um, não é mesmo?!) e que nesta luta que parece sem fim, existem grandes possibilidades de vencer, superar e derrotar o adversário com classe. Estou no meio de um tratamento, quero dizer que ainda não durmo tranqüila todas as noites, mas hoje tenho CERTEZA, que a nossa motivação e crença na possibilidade de superar faz TODA diferença. Sofro bastante, me sinto cansada, mas nossa única esperança é mesmo apostar todas as cartas na melhora. 
Pensei tantas vezes que conseguir aniquilar o DDA seria impossível, mas não é, caros amigos. Se o intuito do depoimento é mesmo incentivar o próximo a melhorar, espero que o ajude ler que: TEMOS CURA, pois não estamos doente, mas sim, num meio de uma guerra interna, que com armas de fogo, temos um grande chance de assumir o comando e virar o jogo. Confesso, que a batalha é longa e os adversários são fortes (às vezes, parecem gigantes diante de nós!), mas é possível. 
Faço terapia e no consultório, todos os "DDA's" estão superando, melhorando, crescendo. Minha médica diz: Quem não tem lutas na vida, tem poucos vitórias. Para terminar, procurem um bom neurologista  e uma psicóloga, invista em você mesmo e lute sem ter medo de perder. A medicina está do nosso lado, pois no começo, sofri um bocado com a medicação, e hoje, estou adaptada com toda certeza. 
Um grande abraço e espero que isso sirva para motivá-lo a fazer TUDO que for possível por você mesmo. 
Caro Dr. Rubens,

Eu estou bem, e o você? Resolvi escrever um e-mail para contar como estou progredindo com o Déficit de Atenção. Da situação inicial, na qual cheguei ao Sr., hoje estou muito melhor, graças à Ritalina e ao condicionamento que fiz para me treinar a conviver com isso. Minhas notas melhoraram muito mesmo, e hoje consigo chegar ao final do semestre sem grandes problemas. Minha dosagem de Ritalina também está bem menor; tomo geralmente duas por dia, salvo casos extremos de provas muito difíceis ou trabalhos de virar a madrugada. Aprendi a trabalhar com o DDA, e descobri a importância da motivação para pessoas com o problema. Só ter ganhado consciência do distúrbio já foi o primeiro e mais importante passo. Veja a evolução das minhas notas, na planilha anexa, se interessar. Enfim, estou escrevendo também para agradecer a ajuda, acho que posso dizer que mudou a minha vida. Obrigado.

Li todos os depoimentos, sofri, chorei e acho que pela primeira vez me senti "em casa". As dores são tão parecidas, as experiências, a vida! Por muitos anos antes de deitar sempre me perguntei (ainda faço isso): O que há de errado em mim?! Por que a vida parece extremamente difícil de ser vivida?

Fui a muitos psicólogos e a um neurologista. Para minha infelicidade, ninguém nunca me falou sobre o DDA. O diagnóstico sempre foi claro: Baixa auto-estima, insegurança, tendência á depressão e uma dura história de vida. Somando, tivemos um resultado convincente. Eu precisava de terapia, tempo e Deus para fazer um milagre.

Hoje, com 28 anos e depois de tantas derrotas, a internet me apresentou o DDA e "de quebra" ainda deu o telefone de médicos especializados no assunto em minha cidade. Não tive dúvidas! Vi uma luz, uma possibilidade de entender o porquê me pergunto todas as noites se há algo errado em mim. A médica solicitou exames, testes neurológicos e psicológicos. Pronto! Descobrimos que o DDA estava confirmado e acompanhado de alguns problemas cognitivos que me fizeram sofrer por tantos anos. E para minha surpresa, eu não tinha o QI abaixo da média. Ufa! Foi uma grande descoberta.

No meu caso, acredito que minha história de vida tenha contribuído diretamente nas minhas dificuldades, pois não posso atribuir a culpa apenas ao DDA. Isso, pelo menos, consigo enxergar claramente.

Pois bem, como quase todos os portadores do "tal" DDA, não termino o que faço, vivo numa ansiedade constante. Concentração? Essa palavra é até difícil de falar! Não sei como terminei meu curso superior e minha pós-graduação. Simplesmente, não me concentro em qualquer leitura, nem mesmo uma página consigo terminar. Nas provas? Só mesmo o milagre aparecendo novamente! Ah, e minha memória? Essa nem comento, ela não existe. Minha auto-estima, de 0 a 10, posso classificá-la como -1. É isso mesmo, -1. Não confio mesmo em mim! Minha mente é desorganizada. No trabalho muitas vezes não acompanho uma discussão, fico confusa, desatenta. E sabemos o nome que todas as pessoas dão a essas características. Não sei como faço meu trabalho bem feito, os clientes me elogiam sempre, para minha salvação, pois internamente, com meus colegas e chefes, sou um fracasso.

Fico pensando... O que existe dentro da minha cabeça? Praticamente não consigo ler nada, não memorizo. Aulas, palestras, mesmo a televisão é mesmo uma missão impossível. Me sinto um saco vazio, cheio de ar e prestes a estourar e fazer um grande estrago. E o pior, minha família, aí que família, 100% dos componentes são intelectuais, valorizam a mente e a informação como ouro. E eu? Eu fujo dos encontros, me fecho, pois além do saco vazio, também em sinto uma cadeira vazia. Muitas vezes quero me comunicar, rir, aparecer (para completar sou vaidosa, gosto de ser valorizada), mas não posso. Não me sinto capaz.

Próxima semana vou começar a tomar o remédio, uma psicóloga para cuidar do emocional e outra para reestruturar minha mente desorganizada. Juntando tudo, estou muito esperançosa que esse "kit" mude minha vida com o passar do tempo.

Sinceramente, a vida é dura para mim. Parece que não sou desse mundo e que existe um outro paralelo dentro de mim que nunca ninguém conheceu. Um mundo criado, uma fuga para minhas desilusões. Mas não tenho dúvidas, que deixei um espacinho nele reservado para o resultado positivo. Um fim feliz. Lá estão a determinação, a força, a vontade sem fim. Eu quero muito vencer, muito. Essa grande dor no meu peito, que arde sem para, 24 horas por dia, que me perturba e me destrói sem limite, um dia irá para bem longe. Isso vai acontecer, se Deus quiser, porque eu vou acabar com ela, vou vencer. Isso, ao menos, não tenho dúvidas.

INSPIRAÇÃO MOFADA

Com enfado, sinto o cheiro do mofo. Inspiro mais forte. O tédio invade. Entra pelas narinas e escorre na pele. Transpiro terror. Exalo agonia. É inércia do nada que não dá folga. Não se interrompe, apenas corrompe. Uso a almofada como salva-vida nesse marasmo. Dentro dessa modorra que castiga, não vejo horizonte. Vejo as janelas fechadas no quarto escuro. Abro-as e vislumbro o nada em um só desalento. Volto à escuridão que se repete em minha vida Deito, pois estou exausta de nada fazer. A mente enferrujada que não quer pensar, Não para fazê-lo. Enlouquece em meio a tanta desordem. Perde-se como esse registro se perderá, Salvo, seja salvo por uma pasta amarela. Dentro dela há uma esperança de organização infante. Inspiração crescente poderá crescer não se sabe para onde. Hoje vazia, a virgem pasta amarela, recebe incólume, Esse antigo e velho anseio inacabado.

INSPIRAÇÃO MOFADA, meu poema lema do DDA (ou TDAH), abrirá esse depoimento. Este poema que está publicado na quarta antologia da AJEB (Associação das jornalistas e escritoras do Brasil), de que faço parte, contempla sensações, ora fugazes, ora duradouras, relativas ao distúrbio do déficit de atenção. Mas vejam que curioso! Escrevi o poema em 1997. Pincelei-o com tintas presentes em minha alma naquele momento, mas que hoje vejo que são as cores do DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade), sigla que desconhecia até o mês passado, quando me deparei com uma pequena nota científica na revista VEJA, da psicóloga Cleide Partel.

Na realidade, quando escrevi o poema estava em uma de minhas piores crises de depressão, acompanhada de um recém diagnóstico de um outro distúrbio estranho: a Fibromialgia, na época ainda não tinha sido descrita a etiologia desse distúrbio ( disfunção).. Estava em um barco, afundando com dores no corpo físico e dores na alma, sem remos e sem vontade de nadar.

.Mas momentos passam e tanto a depressão bipolar (também, perversamente conhecida como PMD), como a Fibromialgia se volatizaram ( mas não se foram) sob os adequados tratamentos a que me submeto até hoje.

Restaram alguns ingredientes constantes, para os quais ainda não encontrei tratamento: a falta de foco, de atenção, de concentração e de organização, temperados com uma boa pitada de preguiça. Tenho me prejudicado muito com essas "faltas". Perco tempo, perco chave, perco tudo. Passo vergonha, me atraso, me comprometo, me confundo, não me aprofundo.

Foi nessas circunstâncias que procurei Dra Cleide/Dr. Rubens.

Descreverei agora, um dia na vida do DDA (ou Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade).

Marquei com a Luciana, secretária do Dr. Rubens, uma consulta para às 10:00 de uma tal sexta feira. Não poderia esquecer. Coloquei bilhete na geladeira, na escova de dente, no meu local de trabalho, pois se marco na agenda, corro o risco de esquecê-la. Tenho que afixar os recadinhos para mim mesma, em lugares pelos quais eu vá passar e olhar. Mesmo assim, as vezes olho e não vejo.

Ligo para Daniela, logo de manhã, perguntando se o Dr. Rubens estava atrasado ou não. Disse-me que não. Gelou minha barriga, pois eu não poderia me atrasar. Pego o endereço do consultório e vou para o trabalho. No caminho, me dou conta que esqueci o celular. Eu que estava torcendo, desde cedo, para que eu não viesse a precisar do aparelho, me enganei. Doce ilusão.

Após uma reunião densa, no trabalho, em que eu me afligia com o passar do tempo e não conseguia me concentrar, nem no que discutíamos, nem no fato de não saber onde tinha colocado o pequeno pedaço de papel com o endereço do médico, que eu iria precisar para chegar até lá'. Torturante, angustiante minha paisagem interna. Encerrada a reunião, saio correndo para pegar minha bolsa, com a chave do carro. É óbvio que quando chego no carro, não acho a chave que havia deixado no escritório e que por conseguinte, me faria atrasar mais alguns minutos para ir buscá-la.

No momento seguinte, já em direção à rua Sampaio Vidal, percebo que não peguei o pedacinho de papel, que me contaria o número dessa rua, ao qual eu deveria me dirigir. Abro a bolsa, para pegar a agenda, com o telefone, para que Daniela, me refrescasse a memória, me dizendo o número que eu tinha lido no papel, mas que apesar de me lembrar da posição e da minha horrível letra escrita nele, não me lembrava do que exatamente, estava escrito.

Tive a brilhante idéia de ir e voltar nessa rua, procurando alguma placa com o nome da clínica. Nada de placa. Nessa Clínica não tem placa na frente.

Fui em direção à avenida Faria Lima. Um quarteirão antes de chegar nela, parei em uma padaria e pedi ao padeiro que me ligasse para Daniela, para finalmente, eu pegar endereço completo.

Chegando na ante sala, sentei-me após pagar os honorários do médico e lhe escrevi uma dedicatória no livro com o qual lhe faria um presente. Coloquei dentro de um dos dois sacos plásticos que carregava comigo, com vasta e pesada bibliografia que levo para me dar segurança.

Entro na sala, Dr. Rubens olha-me de soslaio. Devia estar pensando, "o que essa louca traz dentro desses plásticos gigantescos e desajeitados?"

Bem, enquanto eu desatava a falar, continuava me esforçando, mexendo na papelada dentro das sacolas. Senti a necessidade de justificar meu jeito atrapalhado de ser e comentei: "Acho que pirei, pois acabei de dedicar um livro meu para você, e não consigo achar. Será que deixei no banheiro?" Aí, eu pensei melhor e lembrei que eu não tinha ido ao banheiro. Mas tudo bem, "faz parte" do quadro. Ele comentou que eu era DDA (ou TDAH ou Déficit de Atenção ou Hiperatividade) típica.

Tivemos uma excelente consulta. Ele me escutou, pacientemente, pois, cheguei com uma lista de defeitos meus, acompanhada por uma outra descrição como esta, acerca de cinco minutos quaisquer em minha vida.

Foi assim, que eu D. (42), engenheira, com mestrado em Ecologia e Recursos Naturais, ambientalista, poeta e escritora fui diagnosticada como uma DDA (ou TDAH), típica.

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