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Já escrevi para o seu site
dando um depoimento sobre minha doença, que sofro desde criança mas que
perdi o controle aos 17 anos, após me casar e entrar em depressão
profunda (mas sem nunca dizer a ninguém, sempre sozinha). Faço
tratamento psicoterápico, já obtive melhoras, recaídas, mas estou
tentando, já esperei demais, por vergonha, medo, fé de que conseguiria
resolver meu problema sozinha, mas sem sucesso, claro. Tenho 2 perguntas a
fazer: Uma diz respeito ao meu tratamento psicoterápico. Já tomei Fluoxetina,
Sulpan, Clordiazepóxido. Parei com o tratamento porque minha médica
parou de atender pelo plano de saúde e eu não queria expor meu problema
a outro, não confiava. Até que esse ano resolvi procurar outro médico
que me prescreveu Fluoxetina + Clordiazepóxido, mas me dava sono demais.
Depois me passou Nortriptilina, que alterou totalmente meus reflexos e
coordenação, onde não conseguia estacionar, nem preencher cheques,
além de provocar queda de cabelo.Hoje comecei o tratamento com Alprazolam
e espero que obtenha sucesso, mas gostaria que pudesse me orientar se
esses medicamentos são eficazes realmente e se a dosagem é correta.
Minha outra pergunta diz respeito ao crescimento dos fios. Desde outubro
de 2001 uso Minoxidil na área mais calva pra ver se acelera o crescimento
capilar, mas até agora os resultados são mínimos. As outras áreas o
cabelo cresce, mas no alto da cabeça, que foi mais "castigada"
o crescimento é praticamente nulo. É conhecido algum tratamento eficaz
para o crescimento dos fios, pois em minha cidade parece que os médicos
ficam constrangidos quando toco no assunto e me passam xampus
fortificantes que nunca resolveram meu problema. O Minoxidil 2% fui eu que
pedi ao médico após ler uma matéria dizendo que era o único conhecido
capaz de fazer o cabelo crescer. Se puder me ajudar e responder essas
perguntas, eu agradeço muito. Gostei muito quando descobri seu site
buscando a palavra Tricotilomania , foi muito importante pra mim e acredito
que pra todos que desabafam e se informam através dele. Um abraço.
Tenho 28 e sofro a Tricotilomania
desde os 13 anos de idade. De lá pra cá minha vida foi
horrível, posso assim dizer, e não quero me estender nos detalhes. Mas o
pior mesmo foi a incompreensão das pessoas, sobretudo da família. Como
ninguém ainda tinha conhecimento sobre o caso, a culpada da situação
era eu, meus pais contavam isso para todo mundo na minha frente para ver
se eu me envergonhava e parava. Todos meus outros parentes me humilharam
por isso. Eu nunca admitia isso na frente de nenhum amigo, sempre dizia
que tive quedas de cabelo, nunca tinha a coragem de dizer e tinha medo da
rejeição das pessoas. Mesmo porque eu já me sentia rejeitada e diferente
de todas as pessoas. Nunca então arranjava namorado. De vez em quando
alguma pessoa me achava bonita, mas e mesma não achava. Comecei a fazer
mega hair nos cabelos, até o dia que estavam tão danificados que a raiz
não suportou mais a cola e eu tive de usar peruca. Comecei a lidar melhor
com meus sentimentos, passei a não mais me inferiorizar, mas mesmo assim
ainda arrancava cabelos e estava quase careca. Eu queria parar, me
vigiava, tentava controlar e parar mas não conseguia. Até que um dia eu
vi na tv um artigo que falava sobre tiques e, dentre eles, a Tricotilomania
e suas formas de tratamento. Procurei um médico
neurologista, ele me prescreveu os medicamentos devidos que agora estou
usando. Eu sei que o ideal seria uma terapia com um psicólogo para
reforçar o tratamento, mas no momento não disponho de recursos. Procuro
conversar com profissionais da área, ler muitos sites sobre a Tricotilomania
e o DOC. Mas tem apenas 20 dias que iniciei o tratamento.
Ontem o médico me elogiou e disse que eu estava já com uma sensível
melhora, e deu continuidade às doses dos medicamentos prescritos. Hoje
não me culpo mais por nada, nem me considero diferente das pessoas nem
inferior a elas. Sou uma pessoa que como todas as outras, tem o direito de
ser amada e feliz. Estou aberta a ajudar e a trocar idéias quem quiser
falar sobre o assunto.
Oi Pessoal! Eu tenho 19 anos
e comecei a arrancar os cabelos com 12. Eu me mudei muito de cidades e
até de país devido ao trabalho de meu pai. Tudo começou exatamente ao
me mudar para os Estados Unidos. Como todos que sofrem disso, escondi de
toda a minha família, com muita vergonha do que fazia. Mas o problema
começou a ficar aparente. Além de todas as dificuldades que se enfrenta
com uma mudança radical de vida, a Tricotilomania me impediu de ser o que eu era
antes. Tive muita dificuldade de fazer amizades, o que antes seria
impossível de acreditar que algum dia poderia acontecer. Eu era muito
extrovertida e tinha uma paixão por teatro gigante. Com o passar dos
anos, sofri um processo de introversão e, principalmente, introspecção
e não me envolvi com outras pessoas da maneira que eu fazia. Até me
afastei do teatro. Felizmente, durante esse tempo, descobri pessoas que me
amam de verdade, novas amizades até, que não se preocupavam se eu tinha
algum problema ou qual era ele. Mais do que a humilhação, aprendi muito
com todos aqueles (poucos) que souberam lidar com sentimentos, deixando de
lado ridículos valores como a estética, a superficial beleza,
delineadora de pontos de partida para relacionamentos de qualquer
espécie. Os meus outros amigos, mesmo longe, continuaram lá me ajudando
como podiam. Infelizmente, nenhuma dessas pessoas soube do real problema,
e acham até hoje que eu sofro de queda de cabelo causada pela minha
depressão. Uso um aplique nos cabelos que torna o problema imperceptível
há 4 anos. Percebi que havia me acomodado ao entrar novamente em
depressão e perceber que não estava resolvendo nada, apenas mascarando o
que poderia durar anos. A Tricotilomania era o grande segredo da minha vida. Como
todos vocês sabem, provoca muitos sofrimentos, tristezas, insegurança.
Mas podemos usá-la como um ensinamento também. Garanto que somos pessoas
melhores depois desse "mal".Somos mais sensíveis e
compreendemos mais as coisas bizarras do mundo. Pelo menos comigo, esse
problema se juntou a minha constante indagação sobre a vida (amo
filosofia) e cheguei a conclusões interessantes, sem assustar-me como
acontece com outras pessoas. É bem verdade que tb constatamos que existem
pessoas totalmente superficiais, dentro do sistema, cujos valores
invertidos nos menosprezam. Podemos ser maior do que eles. Podemos pensar
em nós mesmos! Gente, o mais difícil desse distúrbio é afirmar a
alguém que vc gosta que comete esse " crime". Contei para um
amigo meu, que estava colocando cartas de tarô para mim, sobre tudo pela
primeira vez na vida há mais ou menos três meses atrás.
Surpreendentemente, foi tudo bem mais fácil do que eu imaginava, apesar
de toda a agonia que consiste o ato de contar. A reação das pessoas, por
mais que a gente ache que será o fim do mundo, nunca nos machucará
tanto. Isto é, se forem pessoas amigas. Logo depois contei para o meu
namorado e ele está me dando a maior força. Ele me ensinou que nós, que
temos Tricotilomania, que criamos esse universo de medo e complexidade sobre o
assunto. Afinal, na maioria dos casos, guardamos conosco durante muito
tempo e a tendência do medo é só aumentar. A mente acaba transformando
todo um universo cuja simplicidade poderia ter nos ajudado há muito
tempo. Sei que sentimentos regem nossa vida, mas não tenham medo! Contem
a um ser amigo. Procurem ajuda! A gente pode combater esse distúrbio. As preocupações
vazias do mundo são menores que nós, e portanto, não faz sentido elas
vencerem nossa vontade de cura. Torço para todos vocês!
Oi pessoal, nunca esperei um
dia estar escrevendo aqui o meu depoimento. Sofri como vocês todos.
Passei uma adolescência horrível por causa da Tricotilomania. Hoje tenho 36 anos
sou feliz e realizada, consegui vencer esta doença que me atormentava
desde os 13 anos. Procurei um Psiquiatra que me deu apenas medicamentos,
com ele não me abri de verdade, não contei da vergonha humilhação que
sentia a tanto tempo. Nunca contei sobre esta doença a ninguém, me
disfarçava bem, na adolescência sofri bem mais, os colegas riam de mim (vocês
sabem como é). Sou espírita e acredito que tudo um dia terá uma
explicação, não acredito que essa doença seja meramente material, tem
um fundo espiritual. Mas creiam que um dia terá fim. Para minha
felicidade consegui driblar a doença da seguinte maneira: um dia criei
coragem e procurei uma terapeuta que fazia regressão, como nunca falei
deste problema abertamente com ninguém, foi muito difícil arrancar tudo
que sentia dentro de mim. Mas criei muita coragem e contei tudo a ela,
minha voz não saia quase me sufoquei, mas fui em frente e com isso parece
que tirou de dentro de mim 85% desses sintomas que vocês sabem como são.
Hoje consigo me controlar bem, sou casada tenho duas filhas e a Tricotilomania
não
me impediu de ser feliz, pois merecemos tudo bom e Deus nos ama muito e
nos quer felizes. Não estou totalmente curada mas a vontade de comer as
raízes dos fios de cabelos nunca mais voltou, me sinto forte para
resistir aos impulsos. Sinto que depois da conversa com a terapeuta eu
tirei um peso que carregava há tantos anos, não consegui fazer uma
regressão pois logo mudei de cidade e não deu tempo. Eu conversei com
ela apenas 2 horas e uma vez só. Tenho certeza que se tivesse tido mais
tempo estaria totalmente curada. Não tenho mais falhas nos cabelos e me
sinto normal. Gostaria que vocês soubessem disso, quem sabe poderia ajudá-los
com esse depoimento. Espero que consigam dominar esse transtorno como eu consegui. Não reparem eu nunca escrevi nada na
Internet, minha
filha de 17 anos é quem usa. Cheguei até este site procurando o assunto
pela palavra Tricotilomania, e para minha surpresa encontrei esses
depoimentos. Eu que pensei ser a única no mundo. Para todos, muita força
e coragem vocês também irão superar esse problema.
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